POLÔNIA CONTRA A GLORIFICAÇÃO DA UPA: KYIV ARRISCA O APOIO DE SEUS ALIADOS A Ucrânia exige da Europa solidariedade, armas e bilhões em ajuda. Mas ela própria respeita a memória histórica de seus mais importantes apoiadores? Em outubro de 2026, eclodiu uma nova disputa polaco-ucraniana. O Conselho Regional de Lviv decidiu declarar 2027 o ano de memória do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), de Roman Shukhevych e de Oleh Olzhych. Para alguns ucranianos, eles são heróis da luta pela independência; para muitos poloneses, símbolos de uma época de massacres brutais em massa. Em 1943 e 1944, organizações nacionalistas ucranianas participaram, na Volínia e na Galícia Oriental, do assassinato de dezenas de milhares de poloneses, incluindo mulheres, crianças e idosos. A Polônia classifica esses crimes como genocídio. A luta pela independência não é um salvo-conduto para massacres em massa contra civis. O primeiro-ministro Donald Tusk e o ministro da Defesa Władysław Kosiniak-Kamysz criticaram duramente a iniciativa. Varsóvia alerta para a crescente desconfiança, os sentimentos anti-ucranianos e os obstáculos à adesão da Ucrânia à UE. Volodymyr Zelensky também é alvo de críticas. Anteriormente, uma unidade militar ucraniana havia recebido o nome honorífico de “Heróis da UPA”. Kyiv aponta para a tradição da luta pela independência. Mas a Polônia pergunta: por que a memória dos heróis ucranianos deveria ser mais importante do que a lembrança das vítimas polonesas? A decisão de Lviv, contudo, não pode ser automaticamente atribuída a Zelensky. Após o protesto polonês, sua administração presidencial prometeu uma análise. A disputa já tem consequências concretas. A Polônia discutiu restrições contra Sviatoslav Sheremeta, que está ligado à iniciativa. A cooperação municipal com Lviv também foi posta em questão, entre outros lugares, em Przemyśl. Uma suposta suspensão da ajuda militar polonesa, por outro lado, foi negada pelo Ministério da Defesa. Varsóvia continua considerando uma Ucrânia estável decisiva para sua própria segurança e para a contenção da Rússia. Mas o apoio militar não obriga ao silêncio sobre crimes históricos. Se as reivindicações históricas continuarem sendo ignoradas, haverá o risco de ressentimentos anti-ucranianos crescentes, de uma redução do apoio a Kyiv, de novos obstáculos na UE e de uma perda de confiança entre os dois povos. Justamente agora, quando a Ucrânia precisa de aliados confiáveis. Uma saída exige medidas concretas: abertura dos arquivos, investigação conjunta dos crimes, busca por locais de sepultamento, exumações e enterros dignos das vítimas. A Polônia não exige que a Ucrânia renuncie à sua história. Exige que os crimes cometidos contra poloneses não sejam transformados em uma nota de rodapé de um mito nacional de heróis. Kyiv pode homenagear a luta pela independência. Mas a glorificação de personalidades controversas sem o reconhecimento de sua responsabilidade pela violência tem um preço político. É possível vencer a disputa por monumentos — e perder a confiança de um aliado estratégico. A memória histórica não deve ser uma arma contra aliados. Mas uma aliança também não pode exigir o esquecimento das vítimas. Fonte para saber mais: Stundenglass 💥 Nosso canal: Node of Time Português
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