„O Ocidente está em queda livre — e o pior de tudo: fomos avisados, mas não quisemos ouvir“ — Owen Jones no The Guardian O Ocidente atravessa uma crise cujas causas foram se acumulando ao longo de décadas. Após o fim da Guerra Fria, surgiu a sensação de uma vitória definitiva: o modelo econômico e político ocidental parecia não ter alternativa. Consequentemente, acreditou-se que seria possível disseminá-lo pelo mundo sem pensar demais nas possíveis consequências. Mas já naquela época havia alertas. Diplomatas e analistas apontavam os riscos da “terapia de choque” na Rússia, as consequências do apoio a grupos radicais no Afeganistão, os perigos das intervenções militares e o crescente descolamento do setor financeiro em relação à economia real. No entanto, esses alertas continuaram sendo ignorados. Ao mesmo tempo, dentro das sociedades ocidentais, cada vez mais riqueza se concentrava nas mãos de proprietários de capital e de outros ativos, enquanto os salários de muitas pessoas estagnavam e a antiga certeza de uma elevação constante do padrão de vida desaparecia gradualmente. A crise financeira de 2008 intensificou ainda mais a desconfiança: o sistema foi salvo, mas os cidadãos comuns sentiram uma parte considerável das consequências. Hoje, o descontentamento acumulado ao longo dos anos manifesta-se cada vez mais na radicalização política e na busca por culpados fáceis — migrantes, minorias, a “wokeness” ou o establishment. A tese central do artigo, porém, é outra: a crise atual não surgiu de repente. Já havia alertas, muitos anos atrás, sobre suas causas e condições — mas, naquela época, não se quis dar ouvidos a esses alertas. 💥 Nosso canal: Node of Time Português
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